Saúde do Corredor

Desistência de ginasta reforça preparação mental de atletas

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A atitude da ginasta norte-americana chama a atenção para a importância da preparação mental de um atleta. Treinador Lincoln Nunes revela como este é um dos itens essenciais para o sucesso do esportista.

Desistir dos jogos olímpicos não é uma tarefa fácil. Afinal, os grandes atletas se preparam ao longo de toda a vida para aquele momento. São anos de treinamentos para serem colocados à prova naquele curto espaço de tempo. No entanto, se a mente não está boa, o resultado certamente não será nem um pouco agradável. O que não quer dizer que os méritos daquele esportista devam ser deixados de lado.

Foi exatamente esta questão mental que chamou a atenção de atletas, técnicos, profissionais da mídia e o público na última semana. A ginasta multicampeã Simone Biles desistiu das finais individuais, onde já foi medalhista na categoria. Antes disso, ela já havia se ausentado da final de grupo. Tudo isso, por conta de problemas emocionais da atleta, que já na estreia não começou com o pé direito. Diante deste cenário reverso, ela disse: “Sou mais do que as minhas realizações”.

A repercussão do caso foi tanta que ex-esportistas se compadeceram da situação da americana. Alguns deles até deixaram claro seu posicionamento a favor da escolha da atleta, como Adriano Imperador: “Eu sei exatamente o que ela está passando… cuide da cabeça!”, disse o futebolista brasileiro.

Observando esta situação que envolve a ginasta americana, o treinador mental Lincoln Nunes lembra que as pessoas sempre enxergam os atletas como super-heróis, até como Deuses do olimpo, mas é preciso lembrar que eles são tão humanos quanto qualquer pessoa. “O fato dela se posicionar e entender que a sua saúde mental é mais importante do que qualquer competição põe a par como é o tratamento dos atletas com a mentalidade. É pra aplaudir de pé. Eu deixo sempre claro nos atendimentos: atendo antes da medalha de ouro, campeão mundial ou o que seja, o ser humano”, destaca.

Lincoln reforça ainda que todo o tipo de ideia e imagem ligada ao fracasso passa pela cabeça de quem está competindo em busca de melhorias e vitórias. “O frio na barriga é natural e aparentemente incontrolável. Porém, em algumas circunstâncias da vida, o atleta está vivendo situações externas ao esporte que também atrapalham o seu desempenho. Um período depressivo, perdas familiares… podem ser inúmeros problemas. Imagine então para alguém que precisa repetir ou até ultrapassar resultados como ela? O maior adversário acaba sendo o próprio controle emocional”, acrescenta.

Para quem não sabe, o trabalho mental no Brasil ainda é pouco conhecido, mas vem sendo aos poucos sendo implementado nos grupos esportivos, principalmente no futebol, onde os jogadores convivem com torcidas apaixonadas e até mesmo agressões por parte das organizadas. Enquanto isso, mundo afora existem equipes só com o departamento de trabalho de comportamento e mentalidade.

“No Brasil as pessoas ainda levam a saúde mental muito nas coxas. Se você vai a um psicólogo você é desequilibrado, se você vai a um psiquiatra você é louco. Não é assim que funciona. E em muitos segmentos do esporte esse pensamento ainda reina. O trabalho psicológico é super importante, é um crime as pessoas colocaram a importância do mental e comportamental de lado. Enquanto as pessoas continuarem ignorando isso, mais casos como o dela vão aparecer, mais atletas talentosos vão sucumbir antes do pódio. Essa é a triste realidade. Que isso sirva de exemplo”, conclui o preparador mental.

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